segunda-feira, 1 de julho de 2013

Farrapo Humano (Lost Weekend) e Smashed


A comparação é tão somente por conta das histórias similares: o alcoolismo e seus efeitos devastadores.

Pois bem, "Farrapo Humano", de Billy Wilder, é um grande clássico do cinema, e opta por fazer uma desconstrução do personagem principal - Don Birman -, um escritor em crise, sem ideias para seu livro e, tampouco, com projeções para a sua vida, além do próximo copo de whisky. Porém, em um final de semana, ele terá de se confrontar com seus demônios e descer até o fundo do seu vício.

O filme retrata muito bem o desmoronamento moral do protagonista, com sua incessante incapacidade de se livrar do vício, suas recaídas, etc. Além de tudo isso, a construção do mise-en-scène é fenomenal: a música perturbadora, além da expressão sempre caótica do personagem nos fazem afundar em sua degradação.

Por outro lado, "Smashed", ainda inédito no Brasil, dirigido por James Ponsoldt e protagonizado por Mary Elizabeth Winstead, mostra, em três atos, o vício da personagem principal (Kate) pelo álcool. Ela é casada com Charlie, também alcoólatra. Ao ver do casal, tudo parece decorrer de forma "normal" até que Kate vomita na sala onde ministra aulas para crianças, em virtude da sua ressaca. Inventa mentiras. Entretanto, buscando um pouco de refúgio, começa a ir em um grupo de AA sugerido por um colega do trabalho.

Esse segundo ato, da luta da protagonista contra o alcoolismo, é muito superficial, entretanto. Muito embora ela ainda more com Charlie, que continua com o seu vício, Kate só tem uma recaída, por conta de um fato específico e não por conta do caos da falta do álcool em seu corpo na rotina do dia a dia. O terceiro e derradeiro ato mostra como o vício corrói o relacionamento dos personagens.

Assim, se "Farrapo Humano" é essencial, obrigatório, "Smashed" é apenas mais uma opção.


Farrapo Humano


Smashed


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