O ator Guillaume Canet, que atuou recentemente do longa Apenas uma noite, assina a direção e o roteiro de Até a Eternidade (Les petits mouchoirs no título original), trama sobre um grupo de amigos que se reúnem para férias à beira-mar, enquanto torcem pela recuperação de outro que está hospitalizado.
A primeira cena mostra Ludo (o ótimo Jean Dujardin, antes de ganhar o Oscar por O Artista) saindo de uma balada já pela manhã e, antes mesmo do fim dos créditos iniciais, sua moto já está debaixo de um caminhão e ele no hospital - a cena é muito bem construida e surpreende bastante. O acidente é um catalisador para o reencontro de um grupo de personagens que, apesar do acontecido, resolve manter as férias habituais na casa de um deles - Max (François Cluzet, de O último caminho, e que lembra um pouco Dustin Hoffman pela aparência).
Aos poucos e sutilmente, os personagens mostram as suas caras, ganham identidade e a simpatia do público – especialmente porque não são clichês ambulantes, são gente de carne e osso, com medos, ansiedades, inseguranças e desejos. Não simbolizam uma virtude ou um defeito, mas conseguem reunir qualidades e falhas. A tragédia começa a intercalar muito momentos com a comédia. Ao mesmo tempo que rimos em vários momentos, não conseguimos esquecer que Ludo ainda continua muito mal no hospital.
Max (François Cluzet, de O Último Caminho) é um rico dono de hotel que tenta não se incomodar com as investidas do amigo Vincent (Benoît Magimel, de Uma Garota Dividida em Dois), que anda confuso com sua sexualidade.
Marie (Marion Cotillard, de Meia-noite em Paris) também tem dúvidas sobre quem, como ou se deve amar. Já Éric (Gilles Lellouche), mulherengo inveterado, gosta de manter uma namorada, só por garantia. E Antoine (o comediante Laurent Lafitte) fica esperando que sua Juliette (Anne Marivin) perceba a bobagem que fez ao terminar o relacionamento deles.
É esse cuidado com os personagens que mais encanta no drama de Canet, que trata a todos com dignidade. Há uma harmonia no elenco que faz com que todos estejam no mesmo patamar.
Marion, que divide sua carreira entre filmes nos EUA (A Origem, Nine) e Europa (como o recente De Rouille et D’os), é uma presença luminosa aqui, enquanto Dujardin passa praticamente todo seu tempo em cena na cama de um hospital e com maquiagem pesada, por conta do rosto desfigurado com o acidente. Particularmente, gostaria de ter visto mais tempo dele em cena.
A longa duração de Até a Eternidade (mais de duas horas) não incomoda em nenhum momento, pois há muita força dos personagens e uma bela trilha sonora, mesclando clássicos dos anos 1970 (como Janis Joplin e The Weight) e músicas contemporâneas.
O filme estreiou apenas em São Paulo e apenas em uma sala - no Espaço Itaú do Shopping Frei Caneca.
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